As fronteiras da inovação na área de saúde

1. Vamos falar de inovação na área de saúde?

Inovação em saúdeA palavra “inovação” já não soa mais como uma tendência e sim como uma realidade. Isso vale também para a área de saúde.

Vivemos um mundo de inovação intensiva em todas as áreas.

Há pouco tempo, discutíamos sobre as disparidades de hábitos entre nós, nossos pais e nossos avós. Enquanto hoje, temos pessoas que nasceram na mesma década e já possuem hábitos bastante diferentes.

novas tecnologias, novos hábitos

Todos corremos o risco de ficarmos defasados não só em relação aos objetos do dia a dia, mas também mundo no profissional… e num piscar de olhos.

Duvida? Hospitais e clínicas particulares já perderam boa parcela de mercado, antes “confortavelmente conquistada”, para startups como a Dr. Consulta. Essa startup oferece o serviço de obtenção de consultas e exames mais rápido que o serviço público e mais barato que o particular.

“Hoje já fazemos mais de 55 mil atendimentos mensais e temos mais de 550 médicos à disposição dos pacientes. Além de consultas, oferecemos exames e cirurgias a fim de proporcionar diagnóstico completo e acompanhamento dos casos simples e prevenção de doenças, assim como tratamento para pacientes pré-crônicos ou crônicos.”

— Marcos Fumio, Vice-presidente médico do Dr. Consulta

Fonte: epocanegocios.globo.com.

Não é surpresa que, nessa grande frenesi pelo novo (inovação), o setor da saúde já esteja sendo fortemente impactado. Além disso, a alta do dólar e a crise econômica influenciaram bastante as mais recentes inovações em processos, em tecnologia e em eficiência nesse ramo. Mas a área da saúde ainda possui uma grande demanda por inovação, no Brasil e no mundo.

Mas como poderíamos aplicar a inovação na área de saúde, um ecossistema tão complexo, bastante regulado em vários aspectos e cauteloso (com seus motivos) na adoção de mudanças?

demanda por inovação na saúde

No Brasil, temos avançado bastante nesse sentido e o setor brasileiro passa por muitas transformações. Por exemplo, o papel foi substituído por informatização e os dados dos pacientes, pouco a pouco, são guardados e gerenciados em uma só plataforma.

Esses são apenas alguns dos exemplos do processo de inovação que estão sendo trilhados.

Mas, amigos, estamos falando apenas de inovação tecnológica. É só nisso que há espaço para inovar?

2. A cultura da tecnologia tem reduzido a capacidade de inovar na saúde?

a inovação e a tecnologia mudou a saúde
“Seu smartphone verá você a partir de agora”. Imagem extraída do The Wall Street Journal, 2015.

Nesse início de século XXI, vivenciamos uma importância à economia e à tecnologia sem precedentes na nossa história. Temos hoje uma cultura que vincula acesso à tecnologia como meio para satisfação, segurança, dignidade e qualidade de vida. Entretanto, questionamos se o uso da tecnologia e da informatização não estaria resultando em maiores dificuldades e demora para percebermos novas sensibilidades no “cuidar” em saúde.

É por esse mesmo motivo que, quando pensamos em inovação, pensamos geralmente em tecnologia. Mas uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra. E é por isso também que nos prendemos e bloqueamos o nosso potencial criativo quando falamos em inovação. As questões que logo surgem são: eu sou capaz? Tenho dinheiro para isso?

 

 

 

 

 

A inovação pode ocorrer nestas seguintes formas:

tipos de inovação

Então, imaginemos como é possível inovar na área da saúde sem se basear em tecnologia. Vamos usar um dos exemplos acima: business (inovação em modelo de negócio). Vamos fazer o exercício de criar algumas ideias inovadoras apenas no tipo business:

Ideia 1) Assinatura de consultas:

Que tal se eu aproveitasse os clientes mais assíduos e lhes desse uma opção bastante diferenciada de consulta? A assinatura de consultas. Aproveitando o fato de que tenho muitos clientes recorrentes e que alguns começaram a sumir por conta de algo que eu ainda não sei, eu poderia engajá-los a voltar através dessa novidade. As vantagens seriam: menor preço, pois a recorrência de pagamento possibilitaria que eu reduzisse meus custos de busca por paciente e eu aumentaria minha previsibilidade; alguns bônus exclusivos para assinantes como grupo de dúvidas no WhatsApp entre outros mimos e benefícios que você, profissional, pudesse oferecer, respeitando o código de ética da classe.

Ideia 2) Compartilhamento de recursos:

Se eu tenho um consultório com muitos equipamentos e diversos deles ficam ociosos em alguns momentos, por que não os compartilhar cobrando um aluguel para quem prefere não os comprar? Seria possível até amortizar parte do valor investido nos materiais.

Ideia 3) Licenciamento:

Caso você seja detentor de alguma prática ou modelo próprio, é possível permitir que outros profissionais usufruam dessa propriedade intelectual com direitos autorais registrados, incluindo variações interessantes de acordo com seu acordo comercial, como prazo, região de atuação e período de validade da licença.

 

Todas essas ideias foram resultado de um breve e simples exercício que foi possível graças à não restrição de que a inovação precisa ser tecnológica.

 

3. Quando a inovação não se baseia em tecnologia nem em negócio, mas sim no Ser Humano

Na década de 60 e 70, já era discutida a proposição de posicionar o paciente como foco da medicina e do atendimento. Porém, o que predominou de lá para cá foi centrar os esforços na doença. E, devido a essa escolha, desenvolvemos muitas compreensões sobre os males que nos afligem. Entretanto, o paciente foi sendo perdido de vista, encarado, logo, como ” o portador da doença”.

Essa visão limitava a inovação e restringia a visão dos profissionais a focarem seus esforços apenas em uma parte da vida do paciente: do momento em que o paciente sentia a necessidade de atendimento (dor) e se dirigia ao centro de saúde até o momento em que ele ia embora.

Isso gerava uma série de ofuscamentos na jornada do cliente sobre como o dia a dia e a vida do paciente o levaram a ter aquela dor ou doença, por exemplo. Quando essa outra parte da vida e da experiência dos pacientes são levadas em consideração, uma gama de possibilidades para a inovação se abre.

Esse modelo centrado na doença ainda é visto como predominante tanto no Brasil como no mundo. E, por esse motivo, colocar o paciente no centro dos cuidados tem sido objeto de grande discussão, inclusive acadêmica, surgindo como uma nova e poderosa abordagem.

Medicina centrada no paciente

 

Isso representa uma janela espetacular de inovações no que diz respeito à desejabilidade das pessoas (veja a figura das formas de inovação novamente), isto é, o ser humano por trás dos pacientes que será sensibilizado e impactado por essas soluções.

 

4. Pensar no paciente permite potencializar a inovação na saúde

Geralmente, as inovações em serviços são não tecnológicas, o que, para os pesquisadores, dificulta o mapeamento das inovações no setor de saúde. E, devido à natureza intangível do setor de serviços, mais precisamente em saúde, pensar no indivíduo pode ser uma mentalidade e visão diferenciadas para tornar mais acessível e claro como aplicar o processo de inovação dentro do setor de serviços em saúde.

design thinking na saúde

Então, se você já visualiza a base tecnológica como meio para atingir uma inovação de sucesso no campo da saúde, essa abordagem irá te abrir um leque muito maior de possibilidades, reduzindo assim diversas limitações, como as de “não tenho conhecimento especializado em tecnologia para inovar” e as de “não tenho dinheiro para inovar”.

5. Quem já usou esse tipo de inovação? E funcionou mesmo?

Em 1999, um artigo intitulado The err is human: building a safer health system (O erro é humano: desenvolvendo um sistema de saúde mais seguro) trouxe alguns dados assustadores. Estes diziam que mais de 7 mil pessoas morreram, anualmente, devido a erros de administração de medicamento, além de deixar 1 milhão e meio de pessoas com sequelas e de custar cerca de 3,5 bilhões de dólares aos cofres dos EUA.

É importante lembrar que, assim como hoje, a maioria dos gestores de hospitais e profissionais da área não se importavam com a necessidade de inovar, por pensarem que o setor “dominava bem a sua ciência”. A resposta a esse pensamento é: soluções geram novos problemas e, por isso, inovar continuamente será a qualidade das organizações que terão sucesso no futuro.

respostas

 

A rede norte-americana de hospitais chamada Kaiser Permanente solicitou a ajuda de especialistas em Design Thinking para resolver esse problema (novamente, veja a figura das formas de inovação e observe onde se encaixa o Design Thinking).

Mas o que é Design Thinking?

Design Thinking é uma abordagem que ajuda a criar soluções inovadoras no quesito da desejabilidade, isto é, quando o foco são as pessoas (o ser humano). Ela permite inovar sem necessariamente investir muito para causar um alto impacto nos beneficiados pela solução.

Mas, como isso é possível?

criatividade e analítico para desenvolver inovações

O Design Thinking é uma metodologia capaz de trazer tanto os profissionais de saúde como os pacientes para desenvolverem juntos uma solução que será resultado do modelo centrado no paciente.

Saiba mais sobre o que é Design Thinking clicando aqui!

Voltando ao caso de estudo…

O trabalho com o Design Thinking passa necessariamente pelo entendimento profundo do problema, numa etapa conhecida por empatia. É quando os responsáveis pelo projeto entram em contato direto com os envolvidos na solução (médicos, enfermeiros, pacientes e demais) para se colocarem na pele destes e entenderem o problema em seu “habitat natural” (na fonte).

A partir da empatia a Kaiser Permanente pôde compreender que as interrupções durante o procedimento eram uns dos pontos mais críticos causadores de erros.

inovação em saúde

Em prosseguimento ao projeto de Design Thinking, os responsáveis pelo projeto envolveram enfermeiras e outros profissionais para cocriarem e testarem várias soluções. O objetivo dos ciclos de criações e testes era obter uma resposta que fizesse sentido e resolvesse efetivamente o problema.

o processo de design thinking ajudando a inovar na área de saúde

O resultado foi a adoção de faixas e coletes para uso pelos enfermeiros e profissionais, similares a um colete de guarda de trânsito ou a um colete de aviso “Não me atrapalhe”, por exemplo.

Essa solução aparentemente simples deu resultado?

A redução dos erros de administração de medicamentos foi de 50% e a confiança dos pacientes nos profissionais de saúde subiu de cerca de 30% para quase 80%.

O pensamento centrado no cliente final, ou seja, no paciente, permitiu criar uma solução inovadora e efetiva. Imagine se essa solução fosse adotada em larga escala, através de um modelo de negócios. Isso mesmo! O impacto seria gigantesco.

6. Isso funcionaria no Brasil?

Como dito anteriormente, uma das respostas para conseguir inovar continuamente está em colocar os clientes finais no foco da solução, trazendo-os para colaborar e desenvolvê-la em conjunto.

Então, por mais que apresentemos exemplos de outros países, inclusive desenvolvidos, essa abordagem deixa claro que é necessário um entendimento profundo do contexto onde a solução será desenvolvida e implementada.

O que isso quer dizer é que a solução observará as particularidades existentes, seja ela a pobreza, a corrupção, a regulamentação demasiada ou a não aceitação à mudança (ao novo).

No fim, a solução levará o contexto em consideração de forma profunda e realista e, justo por essa razão, a solução será algo que realmente faça sentido e funcione para aquele problema e situação. Essa é a beleza e o poder do Design Thinking.

7. Mas a inovação não para (e nem pode) por aí!

Alguns desafios na área de saúde hoje são bem declarados e é verdade que gestores e profissionais possuem um consenso em relação a eles. Você pode utilizar essa abordagem para resolvê-los e se diferenciar no mercado, tornando-se vanguarda no seu ramo.

Porém, hoje a mudança está muito veloz e novos problemas irão surgir, cada vez mais rápido. Assim, em algum momento, eles irão acumular e você poderá ficar para trás.

A boa notícia é que, a partir do momento em que você cria essa mentalidade e começa a abordar os problemas como o exemplo da Kaiser Permanente, você conseguirá criar inovações continuamente para estar sempre na vanguarda.

colaborar para inovar continuamente na saúde

Por isso, a Grand Designs desenvolveu o treinamento Think Inside the Box, onde você desenvolve habilidades e competências diante de um projeto de inovação real, trabalhando em equipe para criar uma solução para um problema real, passando por todas as fases do Design Thinking.

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