Matriz de abertura: como e quando lançar a minha ideia?

Nos últimos anos, nós da Grand Designs estivemos ajudando muitos empreendedores, startups e empresas a trazer novas soluções no mercado. Como dito em posts anteriores, ter uma ideia é só o início do processo para ter sucesso. Em todo o nosso processo de criação e validação de conceitos, estamos sempre tentando descobrir o que o cliente realmente quer através de técnicas de Design Thinking . Associamos isso a técnica de Customer Development, que foi mostrada ao mundo no livro “4 steps to epiphany”, de Steve Blank.

 

Mesmo quando sabemos “quase tudo” que o nosso cliente quer e nosso produto está muito alinhado a isso, precisamos pensar em como colocar esse produto no mercado de forma que ele ganhe tração, seja reconhecido por clientes e ao mesmo tempo, nos proteja dos perigos que o mercado pode oferecer como: grande rejeição de partes interessadas, competidores, regulações, governos etc.

Parece complicado, né? Mas é perfeitamente possível de se fazer usando a criatividade e claro, técnicas bastante visuais de racionalização de ideias.

Em algumas teorias de soluções de problemas complexos, como Triz e Teoria da Atividade (neste caso, uma meta-teoria), o simples fato de enxergar contradições inerentes a um problema já é o início da definição dele, pois estas contradições fazem com que tendamos a escolher um dos extremos para seguir. Ao analisar a situação de lançar um produto no mercado podemos listar uma dezena delas, mas foquemos em duas fontes de contradições: Volatilidade do mercado e Abertura para compartilhamento de informações.

Pegando essas duas contradições e as colocando numa matriz 2×2 podemos começar a usar da empatia para planejarmos a reação de nosso conceito para cada cenário representado nos quadrantes dessa matriz.

Analisando externamente o quanto o mercado que a sua ideia poderá estar inserida é volátil ou estável somos capazes de imaginar diferentes funcionalidades e proteções que o nosso produto ou serviço deve ter. Da mesma forma que devemos analisar o quanto nós e todas as partes interessadas estão dispostas a abertura para compartilhamento de conhecimento. Os quatro diferentes cenários nos levam a conceitos que podem ser alinhados para diferentes abordagens.

 

Fechado e Volátil

Nesta situação, estaríamos vivendo um cenário bastante negativo onde “os fracos não têm vez”. O ideal é tentar fugir de uma realidade como essa, mas se você enxergou uma grande oportunidade que te faz querer entrar nesse campo de batalha, principalmente pelo fato de seu produto ou serviço possuir algumas características e informações que te trazem grande vantagem competitiva… faixa do rambo na testa e faca nos dentes darão a tônica do dia a dia ao desenvolvimento da sua empresa, porém você terá que ser silencioso no mercado. Provavelmente o seu sucesso estará muito relacionado a executar algumas atividades chaves muito melhor que os seus concorrentes, de forma a fazer com que você seja um dos poucos sobreviventes, ou seja, “O Rei dos Cachorros”.

 

Fechado e Estável

Numa situação como esta, estamos fadados a trabalhar com diversas limitações para o sucesso do nosso conceito, mesmo que inovador. Para tal, devemos ter um time especialista em identificar quais seriam essas limitações e como poderíamos ultrapassá-las de forma a utilizar o melhor de nossos recursos, guardando conosco todos os nossos avanços como forma a ter vantagem competitiva. Este cenário nos leva a utilizarmos táticas muito mais alinhadas a defesa contra concorrentes.

 

Aberto e Estável

Aqui a situação parece bastante favorável pois o crescimento é bastante perceptível a todos os envolvidos, bem como muitas informações estão disponíveis. Porém, essas informações estão disponíveis a qualquer um, assim como todos têm ideia que esse é um mercado a ser explorado. Resumindo bastante, podemos dizer que é um oceano azul que provavelmente não foi descoberto por você, e que vai mudar de cor. A dúvida é: quando? É preciso ter “olhos de águia” para identificar os sinais do mercado, pois essa fonte vai secar… mais cedo ou mais tarde.

 

Aberto e Volátil

Seria esse o fim do arco-íris que seu produto ou serviço te trouxe? Parece brincadeira, mas é importante fazermos esta pergunta pois é essa a reação que precisamos ter aos nos perguntar. É hora de ser rápido e usar e abusar das informações disponíveis e das pessoas que estão dispostas a usufruir de recursos que gerem ainda mais informação, pois esse, pode ser o seu grande diferencial no mercado. É necessário ser muito rápido e ter poderes de adaptação de um camaleão.

Mas e ai?

Resumindo, essa matriz não te “dá nenhuma resposta de bandeja”, mas te ajuda a imaginar diferentes cenários que sua startup poderá vivenciar. Muitos dizem que algumas empresas têm sorte e outras não, mas como diria David Ingvar: “A diferença entre uma pessoa de mente aberta e outra de mente fechada, está na quantidade de memórias do futuro que ela possui”. Ingvar defende que o fato de “vivenciar um cenário” te traz uma memória de futuro, fazendo com que você enxergue uma “situação desconhecida” como uma oportunidade ao invés de uma ameaça, pelo simples fato dela não ser tão estranha à sua realidade. Por isso, apenas preencha o seu disco rígido de muitas memórias pois elas te ajudarão lá na frente.

 

 

 

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