O Design e sua responsabilidade social

O Design como um reflexo do desejo da sociedade

Surpreendentemente, hoje falaremos mais uma vez sobre design. Entretanto, vou abordar algumas responsabilidades que você, designer que lê esse post, deve pensar ao trazer soluções para mercado e sociedade. Quando dizemos “você designer”, não se exclua, pois é com você mesmo que estamos falando. O fato de você estar aqui lendo este artigo mostra que você é um explorador (a) em busca de conhecimento e portanto, um tipo de designer ativista.

Muito se fala em desenvolvimento sustentável e o quanto esta “preocupação” está presente em nosso dia a dia. Como na imagem acima, o desenvolvimento sustentável logo nos remete a natureza e como é preciso cuidar dela para que prolonguemos nossa estadia nesse maravilhoso planeta que compartilhamos. O fato da natureza ser uma “entidade” que todos nós dependemos e fazemos parte caracteriza como um fator social mas é preciso lembrar que não é a única preocupação do design social e sustentável.

É exatamente sobre isso que queremos falar: o Design Social.

Em outros posts que fizemos falamos bastante sobre problemas complexos, como estes se caracterizam e porque eles estão a todo momento a nossa volta. Um dos tipos de problemas complexos mais interessantes é quando estamos lidando com diferentes pessoas, interpretações e interesses, ser mais social e complexo do que isso é difícil.

O Design Social é conhecido como um processo que contribui para melhor o bem estar humano e dos meios que garantem a nossa sobrevivência. Segundo Victor Paranek[1], designers e profissionais de criação possuem a responsabilidade e são capazes de provocar mudanças reais no mundo. Então, resumindo o que foi dito até agora, qual a diferença entre o design social e o tradicional? Honestamente, não há muita! A não ser a mudança de mindset e o peso da responsabilidade sobre a solução que você esta trazendo para os seus clientes ou comunidade.

O Design deve pensar em um mundo que une o desenvolvimento humano e o capital social, como novos produtos ou processos que são rentáveis. Esta rentabilidade e a propriedade dos processos são os pilares de sustentabilidade que servem de base para o bem estar humano. Segundo Victor Margolin[2], o designer tem a capacidade de imaginar e dar formas a produtos materiais (ou imateriais) que podem resolver os problemas humanos em larga escala. Na ideologia de Victor, o Design Social é uma atividade que não deve ser enquadrada com conotações de caridade, doações ou ajuda. Não estamos falando de trabalho voluntário, mas sim como a contribuição profissional que desempenha um importante papel no desenvolvimento econômico e sustentável.

Como mudamos o jogo?

Nas últimas décadas tivemos acesso a diversos relatórios e documentários sobre como nossas atividades irresponsáveis tem nos liderado para um mundo que colapsará em questão de tempo. Acredito que tivemos ao menos duas gerações sendo criadas e moldadas com a sensação de que talvez não haja um planeta justo e habitável para seus netos ou os filhos deles.

Esse pensamento de escassez se refletiu em diversas áreas de conhecimento e foi se proliferando em uma velocidade tão grande quanto a já anunciada destruição de nosso planeta. Todos nós já ouvimos jargões do tipo: “notícia ruim é que vende jornais” ou mesmo vemos aquelas propagandas falando para você comprar um produto logo, enquanto pode, porque senão perderá a sua vez.

Antes de voltarmos a falar de Design Social ou Sustentável novamente, vamos refletir um pouco sobre uma incrível mudança de mindset que estamos vivenciando. O avanço exponencial da tecnologia, ciência e comunicação nos traz um mundo de possibilidades mais animadoras. Em seu livro Abundância – O futuro é melhor do que você imagina, Peter Diamandis[3], mostra como o avanço do conhecimento e consequentemente da tecnologia, tem trazido impactos positivos na comunicação, saúde, educação, alimentação, energia, divisão de água e muitas outras importantes questões de sobrevivência do planeta e de nossa espécie nele.

Estamos vivendo uma era de “empoderamento”, pois o poder para fazer mudanças tem escapado das mãos dos antes poucos poderosos. A velocidade com que a informação se move tem criado muitos novos heróis e estes têm sido capazes de inovar localmente e muitas vezes globalmente. Uma simples postagem em sua mídia social preferida ou um vídeo no youtube pode fazer com que você tenha centenas ou milhares de seguidores, se tornando um grande influenciador.

Como diria o Uncle Ben (tio de Peter Parker): “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. É exatamente nessa pegada que gostaria de trazer a preocupação para a sustentabilidade de nossos novos designers, assim como eu.

O Design Thinking é uma das melhores metodologias para se abordar problemas sociais pois ele é capaz de desenvolver o fator da “desejabilidade” no tripé da inovação, que é também composto pela “viabilidade” e a “executabilidade”. O fato de ser uma metodologia totalmente baseada na empatia, praticamente nos obriga a entender quais são as preocupações atuais que determinarão a solução que você procura. Então vamos aproveitar essa mudança que está ocorrendo e trazer mais e mais produtos e serviços que contribuam para o bem estar social.

Torne-se um Designer e aprenda a utilizar o Design Thinking no seu dia a dia para trazer inovações que causarão impacto positivo para a sua comunidade.

 

[1] Papanek, Victor (1984): Design for the Real World;

[2] Margolin, Victor (2002): The Politics of the Artificial;

[3] Diamandis, Peter H. (2009): Abundância: O Futuro é melhor do que você imagina.

 


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